Assine o Feed desse BlogClick na foto para obter melhor resolução Orpheu. - Ano 1, nº 1 Ronald de Carvalho . Ler do mesmo autor neste blog: Anoitece Filosofia Sabedoria.
Há duas espécies de poetas — os que pensam o que sentem, e os que sentem o que pensam. A terceira espécie apenas pensa ou sente, e não escreve versos, sendo por isso que não existe. Aos poetas que pensam o que sentem chamamos românticos; aos poetas que sentem o que pensam chamamos clássicos. A definição inversa é igualmente aceitável.
Quero... porém, sem querer... Amo, e muito... sem amar... Tenho um prazer... sem prazer... Sou como quem busca ver - mas... que prefere cegar... Se eu dissesse: "Não!" mentia. Se: "Sim!" faltava à verdade. Tenho a calma... da agonia: Metade, sou de alegria, Sou de dor a outra metade... Que a face alegre aparente... Que importa? - a face escondida, Como n’água transparente, Vê-se um tumulto latente No fundo de minha vida... Porque... Quero... sem querer. Amo e muito.......
É preciso saber porque se é triste é preciso dizer esta tristeza que nós calamos mas tantas vezes existe tão inútil em nós tão portuguesa. É preciso dizê-la é preciso despi-la é preciso matá-la perguntando Porquê esta tristeza como e quando e porquê tão submissão tão tranquila. Esta tristeza que nos prende em sua teia esta tristeza aranha esta negra tristeza que não nos mata nem nos incendeia antes em nós semeia esta vileza e envenena o nascer de qualquer ideia.
Junto dela, velando... E sonho, e afago imagens, sonhos, versos comovido... Vejo-a dormir... O meu olhar é um lago em que um lírio alvorece reflectido... Vejo-a dormir e sonho... Só de vê-la meu olhar se perfuma e, em minha vista, há um céu de Amor a estremecê-la e a devoção ansiosa dum Artista... - Nuvem poisada, alvente, sobre a neve das montanhas do céu, - ó sono leve, hálito de jasmim, lírio, luar... Respiração de flor, doçura, prece... - Ó rouxinóis, calai! Fonte, adormece!.....
madrugada, passos soltos de gente que saiu com destino certo e sem destino aos tombos. no meu quarto cai o som depois a luz. ninguém sabe o que vai por esse mundo. que dia é hoje? soa o sino sólido as horas, os pombos alisam as penas, no meu quarto cai o pó. um cano rebentou junto ao passeio. um pombo morto foi na enxurrada junto com as folhas dum jornal já lido. impera o declive um carro foi-se abaixo portas duplas fecham no ovo do sono a nossa gema. sirenes e buzinas. XIII ao Séc.
Nunca digas adeus Sem ver se tens contigo A chave do regresso Não creias na lua; O céu acende estrelas Para ti. A noite recolhe As pérolas soltas Da concha do dia. In Périplo. Poema extraído daqui Edgar Carneiro nasceu em Chaves em 8 de Maio de 1913 e faleceu no Hospital de V. N. de Gaia em 15 de Janeiro de 2011.
1. O pranto do meu coração também é pranto do coração dela. O fio com que ela me prende também a prende a ela. Procurei-a em toda a parte, Adorei-a dentro de mim, Oculta nessa adoração ela também me procurou. Cruzando os vastos oceanos veio roubar-me o coração. Esqueceu-se do regresso pois também o perdera. Os seus encantos atraiçoam-na, Lança a sua rede, sem saber Se vai pescar ou ser pescada. 2. Talvez Ela, fonte de toda a alegria, Me beije também numa nova vida No fim da antiga vida.
Uma troca simples de mãos para que a melodia vingue no andamento em que nos reconhecemos. Uma fracção de tempo, um disparo para que se entreteçam as pedras, os blocos de fogo. Hoje disponho o mar ante os teus olhos, a tempestade, a crueza sistemática das coisas, essa chuva que arde neste efémero instante que corta a costa, a barra, o farol.
Um silêncio, um olhar, uma palavra Nasceste assim na minha vida, Inesperada flor de aroma denso, Tão casual e breve. Já te visionara no meu sonho, Imagem de segredo esparsa ao vento Da noite rubra, delicada, intacta. E pressentira teu hálito na sombra Que minhas mãos desenham, inquietas. Existias em mim... O teu olhar Onde cintila, pura a madrugada, Guardara-o no meu peito, ó invisível, Flutuante apelo das raízes Que teimam em prender-te, minha vida!.05.1923.
Quando à varanda de ouro e nácar da poesia Chega o fantasma negro e triste de meu verso, Que nos olhos, outrora, a dúvida trazia, Como as ruínas de ignoto e lúgubre universo, Paira, branca, no azul, a sua imagem fria. Minha estrofe soluça, a lágrima murmura, Timidamente ao meu ouvido um ai queixoso, Deixando atrás de si aberta a sepultura, Onde - coveiro mau - vou enterrar o gozo Da primeira saudade e da última ventura. Rudo, Rebenta o temporal às nuvens agarrado...........
Doce língua portuguesa Com sabor a mel e sal: uma faustosa ceia à mesa, na cama, um vendaval; Sedutora, de beleza incontida, Língua de fel e de saudade. Mulher fiel, mal compreendida, Ganha mais valor com a idade. Perturbadora, límpida, singela... Pimenta, açafrão, canela... Pedra preciosa e filigrana; Sou teu súbdito e tu tirana.
É mais formosa que a Beatriz do Dante, Porque, se aquela fosse assim tão bela, O poeta não teria tido aquela visão de inferno e glória ao mesmo instante Porque quem vir Beatriz, estou que cante Somente a glória que ela vive, em si, revela E só poderá ver inferno adiante Ou purgatório, estando ausente dela. Assim, para a beleza ser completa, É preciso ter na alma a formosura Que se ajuste à do corpo em linha reta. Faleceu em Fortaleza em 29 de outubro de 1983.
Quanto não mais o Número e a Figura Sejam chaves de toda a Criatura, Quando aqueles que cantam ou que beijam Mais sábios que os mais sábios inda sejam, Quando o mundo, que a vida livre esquece, À vida e a si próprio já regresse, E quando a luz e as trevas se casarem Pra claridade vívida gerarem, Quando virmos que a história universal Só na poesia e lenda é que é real, Brotará do mistério de um só verbo O renovado Ser que andava enfermo. 25 março 1801 em Weißenfels, Germany).
Estádio Olímpico em Amesterdão Assistência 61.257 Benfica 5 - 3 Real Madrid Benfica: Costa Pereira; Mário João e Angelo; Cavém, Germano e Cruz; José Augusto, Eusébio, Águas (cap.), Coluna e Simões. Treinador : Bela Guttman Real Madrid: Araquistain; Casado, Miera, Felo, Santamaria; Pachin, Tejada, Del Sol, Di Stefano; Puskas e Gento .p.); 5-3 Eusébio (68'). Altura da marcação do livre por Águas que deu o 1-2.
Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor quem disse. Essa idéia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou. Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. Vê não-vendo.
A fome, um dia, arrastou-me Para as grades da prisão: Sou o bastardo sem nome, O deserdado sem pão! Meu ar é dúbio, suspeito: Vinte prisões conto já, Vinte facadas no peito, Na alma quantas não há! Ninguém me quer, sou da vasa; N as minhas carnes espúrias Marcaram, a ferro em brasa, Tatuagens rubras de injúrias! Quando eu canto, o povo em massa Chora ouvindo a minha voz; Novo Camões da desgraça, Canto a dor de todos nós! Nas lajes do corredor Ressoam passos.............
Bendita crise que ontem foi dia de festa... e amanhã, por enquanto (pelo menos) temos feriado! Mais duas festas se avizinham. E, assim, de festa em festa, se comemora o resultado de uma "corja orquestrada de malfeitores" do apito ou "míriade de vesgos" (sim, recuso a chamar-lhes de cegos, porque estes merecem-me mais respeito até porque vêm mais... ou não vendo... não verão nem uma cor nem outra, ou seja são isentos). Penaltis a favor ... tudo gente muito fina ............................